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quinta-feira, 15 de julho de 2010

COTIDIANO



De louco que sou vago pensando em pensamentos insanos na luta contra meu eu, divergindo a cada novo amanhecer com aquilo que prego em meu dia a dia.


Minha vida se desfaz, seguindo em frente sem nada a pensar, meus devaneios são consumidos por algozes internos, mostrando-me o lixo que sou, resquícios do que fui um dia e que poderei um dia chegar a ser.


Uma mordida insana, com uma força voraz submergiu através das cinzas, quarenta anos depois do fatídico dia de que dominado pelo sangue passei a existir na noite, perdi a vida ganhando a imortalidade. No balé da existência um vai e vem frenético, onde não somos predadores, vivemos em busca de nossa sobrevivência, o sangue humano é conseqüência, é nossa cadeia alimentar.


A cada novo luar uma nova batalha. Seguimos em frente, um grito. Sussurros de dor. Arrepio. Sinto um cheiro adocicado e suave, mesclado com aquele cheiro conhecido. MEDO. Fui seduzido pelo cheiro suave, saciei minha fome, meu instinto voraz pedia para que continuasse, preferi parar, deixando o restante para noite seguinte.


A opressão que carrego, ser visto por alguns como um deus, deus das trevas, príncipe da noite, na verdade nada sou. Fui subjugado a viver nas sombras, a escoria social, apenas pelo simples fato de existir.


Seguirei enquanto as sobras me permitir ou até que os insanos lixos sociais (humanos) deixem-nos sobreviver em paz.



2 comentários:

Alec Silva disse...

hehehe...
Masssa!!!
Bem simples, sombrio, um estilo meio europeu ou norteamericano, mas com um toque brazuca (primeira vez que uso esta palavra em um texto)...
Parabéns, Renato!!!


xD

Márcia Alcântara disse...

Sabe que fico imaginando como as palavras podem dizer tantas coisas, mas por outro lado elas não conseguem dizer os sentires. E assim vamos seguindo "na luta contra meu eu", contra nós mesmos e o que sentimos diante das palavras.
Parabéns.
Ah! Tudo com surpresa é mais prazeroso!

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